quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A Teologia do Século XXI


Fazer Teologia no século XXI não tem sido tarefa fácil, devido as grandes facilidades que o mundo moderno oferece, como a secularização, a miscigenação do profano com o sagrado,  alguns chegam a afirmar que a religião está com seus dias contados. É diante deste contexto, que somos desafiados a fazer uma teologia que seja relevante ao contexto tricotômico sócio-economico-cultural em que vivemos hoje que se faz cada vez mais necessário requerer que os pregadores utilizem cada vez mais o texto bíblico levando em consideração as necessidades do homem secularizado, da mesma maneira que os cristãos primitivos atualizaram a mensagem do AT nos termos de Jesus para as comunidades judaico-gentílicas do primeiro século. Ao defender essa contextualização do intérprete, não quero propor adequações do texto bíblico à moralidade atual, mas trabalhar a ideia de que a interpretação das Escrituras não é a simples leitura da mesma na forma litúrgica, mas a utilização da mesma mensagem pregada na Bíblia, dos conceitos que se aprende sobre Deus, numa linguagem que o homem hodierno possa compreender.
Devemos ir em busca de uma teologia compromissada com a evangelização e a ação social, que possa integrar uma forte espiritualidade religiosa com um forte trabalho social, tendo uma visão holística do ser humano, testemunhando Jesus como Senhor e Salvador, com um evangelho encarnado na vida das pessoas e na sociedade, anunciando o evangelho com todo o seu carisma e amor e levando o “Evangelho todo para o homem todo”
Creio que o melhor modelo teológico nos dias atuais é aquele que chamamos de Teologia da Missão Integral, onde propõe a mescla da ação social com o evangelismo olhando para o ser humano como uma criatura de Deus na sua totalidade com necessidades físicas, materiais e espirituais. Ela pretende desalienar as práticas de fé existentes na grande maioria das comunidades e nas atitudes das pessoas.
As tradições e os costumes herdados criaram raízes no meio cristão, principalmente no meio evangélico, trazendo pra nós, ainda que não propositalmente, o pensamento equivocado de separar o homem do seu todo, criando partes distintas do ser humano, ou seja, a famosa ideia de corpo, alma e espírito. Ao adotar esse pensamento, acabamos por distanciar as necessidades de um e do outro, desconstruímos a obra da criação de Deus que por sua vez fez o homem e a mulher na sua totalidade, interagindo com o meio em que vive.
A partir daí criou-se uma ideia dualista, condenando o que provem da carne e exaltando alienadamente o que seria do espírito ou da alma.
Podemos afirmar categoricamente que Missão Integral é uma teologia. Isso é elucidador, mas fica a pergunta: que tipo de teologia? Parece ser uma teologia bíblica, isto é, uma tentativa de configurar esquematicamente a instrução bíblica a partir da própria Bíblia em vez de partir dos loci communes da chamada teologia dogmática ou sistemática. Há, porém, muitos tipos de teologia bíblica, com diferentes ênfases. Parece-me que a teologia da Missão Integral é uma teologia bíblica que centra toda a reflexão teológica na definição da natureza intrínseca do próprio evangelho, e quero propor mais construtivamente agora, que ela o vê como o cumprimento da grande comissão de Cristo à luz do mandato sociocultural do Gênesis.
O mandato sociocultural surge logo nos primeiros versículos da Bíblia, compondo as primeiras ordenanças do Poderoso Deus ao homem na Criação.

O mandato sociocultural de Gênesis nos aponta para o projeto do Grande Deus para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação; (ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica; (iii) promoção da nutrição alimentar, e por inferência, de todas as necessidades básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de ninguém; (iv) descanso e lazer para todos, e, por inferência, trabalho para todos. Por meio da redenção em Cristo, a sua igreja se torna novamente capaz de fazer valer o mandato sociocultural. Isto é ler a grande comissão como retomada do projeto divino para a humanidade. Isso é para mim, a principal base para a teologia da Missão Integral.

Evangelho todo para o homem todo”. Tratado de Lausanne, 1974

0 comentários: