quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Crime, castigo e ressurreição




Por Ricardo Gondim






Páginas e páginas da história estão abarrotadas de cadáveres. Milhões morreram devido a estupidez de reis, ditadores, sacerdotes e mercadores. Guerras foram justificadas por questões econômicas. Massacres aconteceram para defender patriotismos imbecis. Genocídios se repetiram para que determinada religião prevalecesse. Gerações se comportaram com menos dignidade que os lobos – que não são predadores da própria matilha.
Em Crime e Castigo, Dostoiévski narra a vida de Raskólnikov, estudante desesperado pela miséria. Vendo-se explorado por Aliena Ivánovna, uma velha, usurária que sobrevive da agiotagem, Raskólnikov a assassina com golpes de machado. Para justificar seu homicídio, Raskólnikov, que era brilhante, engendra uma teoria: existem dois tipos de indivíduos, os “ordinários” e os “extraordinários”. Os “ordinários” são aqueles que se contentam em reproduzir, e caminham anônimos pela existência; eles fazem parte das massas, e vagam como manada. Já os “extraordinários” são os responsáveis pela história e sobre seus ombros recai o dever de conduzir os destinos da humanidade.
Raskólnikov se inspirou em Napoleão antes de decidir matar. Ele se lembrou que o imperador verteu rios de sangue para solidificar a burguesia francesa que necessitava de uma estrutura bancária. Seu pensamento foi mais ou menos o seguinte: “Ora, se a história absolveu Napoleão, que matou milhões em nome de um projeto econômico, porque eu, Rodion Románovitch Raskólnikov, não posso acabar com uma decrépita, que repete na microestrutura o que o sistema bancário faz na macroestrutura?”.
Neste pressuposto, Dostoiévski critica o projeto da modernidade. A modernidade, que transformou o século XX no mais sanguinário da história, se desenvolveu com a lógica sacrificial de que indivíduos podem ser descartados. Quem vai julgar a indústria do leite em pó, que promoveu um infanticídio na África ao incentivar o abandono do aleitamento materno? As grifes famosas, que exploram o trabalho escravo na Ásia para maximizar lucros, permanecerão impunes? Quem há de protestar contra o absurdo de uma xícara de café custar, na Europa, mais que um dia de trabalho em fazendas da América do Sul? George W. Bush vai mesmo desfrutar uma vida abastada e longa no Texas, sem sofrer nenhum processo em tribunais internacionais?
Os “extraordinários” se sentem imunes e impunes. Em nome do processo civilizatório, do capitalismo que mantém a engrenagem econômica em movimento e do progresso, vidas são eliminadas, inclusive, com efeitos colaterais perversos. Danem-se os pobres, as crianças e os deficientes. “Algum preço tem que ser pago para que a humanidade progrida e alcance seu fim glorioso”, afirmam.
Em cima de tal lógica, Raskólnikov jamais admitiu ter matado a velha. Para ele, um "princípio" foi eliminado. Aliena era um obstáculo, um “piolho”, que estorvava o seu caminho.
Profeta adiante de sua época, Dostoiévski expôs a inclemência do capitalismo, que não tem escrúpulos de mercadejar com a alma humana. As grandes fortunas, os mega empreendimentos, as ideologias absolutas, junto com as religiões dogmáticas, não têm coração; não sentem remorso. Mas Raskólnikov sofreu. Sua consciência não o deixava em paz, teve febre e foi para o fundo do poço. A mensagem final do livro é: existe a possibilidade de um novo começo para indivíduos maus; as estruturas sociais, religiosas e econômicas, entretanto, se depravaram e nunca vão parar de assassinar.
Soli Deo Gloria

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Carta ao apóstolo Paulo




Conta-se que o Apóstolo Paulo enviou seu currículo para a Junta de Missões Mundiais de certa denominação, oferecendo-se para trabalhar como missionário. Depois de algumas semanas, o Secretário da Junta escreveu-lhe esta carta, justificando por que não poderia aceitá-lo.


Ao Reverendo Saulo Paulo
Missionário Independente
Roma, Itália

Caro Sr. Paulo:

Recebemos recentemente seu currículo, exemplares de seus livros e o pedido para ser sustentado pela nossa Junta como missionário na Espanha.
Adotamos a política da franqueza com todos os candidatos. Fizemos uma pesquisa exaustiva no seu caso. Para ser bem claro, estamos surpresos que o senhor tenha conseguido até aqui passar como missionário independente.

Soubemos que sofre de uma deficiência visual que, algumas vezes, o incapacita até para escrever. Essa certamente é uma deficiência grande para qualquer pessoa. Nossa Junta requer que o candidato tenha boa visão, ou que possa usar lentes corretoras.
Em Antioquia, o senhor provocou um entrevero com Simão Pedro, um pastor muito estimado na cidade, chegando a repreendê-lo em público. O senhor provocou tantos problemas que foi necessário convocar uma reunião especial da Junta de Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém. Não podemos apoiar esse tipo de atitude.
Acha que é adequado para um missionário trabalhar meio-período em uma atividade secular? Soubemos que fabrica tendas para complementar seu sustento. Em sua carta à igreja de Filipos, o senhor admite que aquela é a única igreja que lhe dá algum suporte financeiro. Não entendemos o porquê, já que serviu a tantas igrejas.

É verdade que já esteve preso diversas vezes? Alguns irmãos nos disseram que passou dois anos na cadeia em Cesaréia e que também esteve preso em Roma, e em outros lugares. Não achamos adequado que um missionário da nossa Junta tenha folha corrida na Polícia.
O senhor causou tantos problemas para os artesãos em Éfeso que eles o chamavam de o homem que virou o mundo de cabeça para baixo. Sensacionalismo é totalmente desnecessário em Missões. Deploramos, também, o vergonhoso episódio de fugir de Damasco escondido em um grande cesto.

Estamos admirados em ver sua falta de atitude conciliatória. Os homens elegantes e que sabem contemporizar não são apedrejados ou arrastados para fora dos portões da cidade, tampouco são atacados por multidões enfurecidas. Alguma vez parou para pensar que palavras mais amenas poderiam ganhar mais ouvintes? Remeto-lhe um exemplar do excelente livro "Como Ganhar os Judeus e Influenciar os Gentios" de Dálio Carnego.
Em uma de suas cartas, o senhor referencia a si mesmo como "Paulo, o velho". As normas de nossa Missão não permitem a contratação de missionários além de certa idade.

Percebemos que é dado a fantasias e visões. Em Trôade, viu "um homem da Macedônia" e em outra ocasião diz que "foi levado até o Terceiro Céu e que ouviu palavras inefáveis". Afirma ainda que viu o Senhor e que ele o confortou. Achamos que a obra de evangelização mundial requer pessoas mais realistas e de mente mais prática.
Em toda a parte por onde andou, o senhor provocou muitos problemas. Em Jerusalém, entrou em conflito com os líderes do seu próprio povo. Se alguém não consegue se relacionar bem com seu próprio povo, como pode querer servir no exterior? Dizem que tem o poder de manipular serpentes. Na ilha de Malta, ao apanhar lenha, uma víbora se enroscou no seu braço, picou-o, mas nada lhe ocorreu. Isso soa muito estranho para nós.

O senhor admite que enquanto esteve preso em Roma, "todos o esqueceram". Os homens bons nunca são esquecidos pelos seus amigos. Três excelentes irmãos, Diótrefes, Demas e Alexandre, o latoeiro, disseram-nos que acharam impossível trabalhar com o senhor e com seus planos mirabolantes.
Soubemos que teve uma discussão amarga com um colega missionário chamado Barnabé e que acabaram encerrando uma longa parceria. Palavras duras não ajudam em nada a expansão da obra de Deus.

O senhor escreveu muitas cartas às igrejas onde trabalhou como pastor. Em uma delas, acusou um dos membros de viver com a mulher de seu falecido pai, o que fez a igreja ficar muito constrangida e a excluir o pobre rapaz.

O senhor perde muito tempo falando sobre a segunda vinda de Cristo. Suas duas cartas à igreja de Tessalônica são quase totalmente devotadas a esse tema. Em nossas igrejas, raramente falamos sobre esse assunto, que consideramos de menor importância.

Analisando friamente seu ministério, vemos que é errático e de pouca duração em cada lugar. Primeiro, a Síria, depois, Chipre, vastas regiões da Turquia, Macedônia, Grécia, Itália, e agora o senhor fala em ir à Espanha. Achamos que a concentração é mais importante do que a dissipação dos esforços. Não se pode querer abraçar o mundo inteiro sozinho.

Em um sermão recente, o senhor disse "Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Cristo". Achamos justo que possamos nos gloriar na história da nossa denominação, no nosso orçamento unificado, no nosso Plano Cooperativo e nos esforços para criarmos a Federação Mundial das Igrejas.

Seus sermões são muito longos. Em certa ocasião, um rapaz que estava sentado em um lugar alto, adormeceu após ouvi-lo por várias horas, caiu e quase quebrou o pescoço. Já está provado que as pessoas perdem a capacidade de concentração após trinta ou quarenta minutos, no máximo. Nossa recomendação aos nossos missionários é: Levante-se, fale por trinta minutos, e feche a boca em seguida.

O Dr. Lucas nos informou que o senhor é um homem de estatura baixa, calvo, de aparência desprezível, de saúde frágil e que está sempre agitado, preocupado com as igrejas e que nem consegue dormir direito à noite. Ele nos disse que o senhor costuma levantar durante a madrugada para orar. Achamos que o ideal para um missionário é ter uma mente saudável em um corpo robusto. Uma boa noite de sono também é indispensável para garantir a disposição no trabalho no dia seguinte.

A Junta prefere enviar somente homens casados aos campos missionários. Não compreendemos nem aceitamos sua decisão de ser um celibatário permanente. Soubemos que Elimas, o Mágico, abriu uma agência matrimonial para pessoas cristãs aí em Roma e que tem nomes de excelentes mulheres solteiras e viúvas no cadastro. Talvez o senhor devesse procurá-lo.



Recentemente, o senhor escreveu a Timóteo dizendo que "lutou o bom combate". Dificilmente pode-se dizer que a luta seja algo recomendável a um missionário. Nenhuma luta é boa. Jesus veio, não para trazer a espada, mas a paz. O senhor diz "lutei contra as bestas feras em Éfeso". Que raios quer dizer com essa expressão?

Pesa-me muito dizer isto, irmão Paulo, mas em meus vinte e cinco anos de experiência, nunca encontrei um homem tão oposto às qualificações desejadas pela nossa Junta de Missões Mundiais. Se o aceitássemos, estaríamos quebrando todas as regras da prática missionária moderna.


Sinceramente,

A. Q. Cabeçadura
Secretário da Junta de Missões Mundiais

Fonte: Sobre fé e + um pouco

Não diga não ao Inri Cristo

Sabe o Inri Cristo, aquele maluco que acha que é Jesus Cristo? Pois é, ele e seus discípulos gravaram um estranho clipe versão da música Rehab, da Amy Wineouse, muito tosco. Veja com seus olhos para acreditar:
É cada coisa que me aparece.......

sábado, 17 de outubro de 2009

Pra quem gosta do bom e velho rock n' roll

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Padre dá graças a Deus por conversão do irmão ao protestantismo





Navegando pela internet, encontrei um site onde avistei algumas pérolas ditas por uns religiosos; veja a seguir:

Relatos de um Católico ao seu professor

Olá caríssimo Prof. Orlando e equipe Montfort!

Escrevo indignado por hoje ver o quanto estão trabalhando os lobos para tentar destruir a Verdadeira Igreja de Cristo! Como aqui em Maceió ainda não há a Santa Missa Tridentina, continuo frequentando a Missa Nova, pós-conciliar. Infelizmente, não fico mais admirado com os abusos cometidos na Igreja pois os mesmos são tantos e estão "evoluindo" com o passar dos domingos. Pessoas tocando no Santíssimo, músicas "dançantes" (provocando dança como conseqüência), comunhão na mão, roupas indevidas, muita conversa durantes as Missas, entre outros...mas os abusos cometidos pelos leigos acredito que é até compreensível (não eximindo-os de culpa) pois o mau exemplo vem de cima para baixo.
Eu mesmo, como um outro consulente escreveu há algum tempo, achava lindo dizer que as outras religiões são válidas, vendo nessa afirmação muita humildade. Por isso procuro condenar apenas o erro e dizer o que é o correto (quando tenho condições para isso). Porém, quando vejo um padre dizer que "a idéia de achar que somente a Igreja Católica possui a verdade, que somente ela é a Igreja de Cristo, é uma idéia retrógrada, que deve ser deixada na Idade Média" (provavelmente para esse padre a Idade Média foi a idade das trevas) me revolta muito. Isso até expus ao senhor, professor, quando da sua última visita a Maceió. Falo do padre que, para poder celebrar, precisa bater palmas, ou melhor, além de bater, os fiéis precisam bater também, para que a Missa seja "animada".
Não bastasse isso que eu relato, domingo último (30/12/2207) fui à Missa novamente onde o celebrante (peço adiantadamente desculpas pelas palavras que serão escritas a seguir) resolveu contar uma historia sobre desestrutura familiar na homilia. Passo então a citar as palavras usadas por ele: "as pessoas hoje em dia gastam muito dinheiro com psicólogos, curandeiros, quando, na verdade, a raiz do problema está na família. Com certeza essas pessoas têm algum tipo de distúrbio na família que as fazem agir de determinadas formas. Uma vez, uma senhora me pediu que abençoasse a casa dela porque, segundo ela, nada dava certo em sua vida. Eu agendei com ela um dia e fui. Ao entrar na casa, havia um rapaz sentado no sofá assistindo televisão e essa senhora falou então para o rapaz: levante daí seu c..., v... (não publicar essas palavras) que o padre quer benzer a casa..."
caro professor, na hora achei que tinha entrado no lugar errado e não na Igreja. Não bastasse isso, em seguida, ele resolveu contar outra que me deixou mais indignado ainda e que considero mais grave:
"o meu irmão sempre foi a ovelha negra da família, sempre viveu em farras, bebedeiras, se amigou com uma mulher insuportável e eu sempre dei conselhos a ele, orei por ele e hoje, graças a Deus, ele é crente, virou evangélico".
Tenho certeza que ele se referiu a alguma igrejola do tipo da do "pedir mais cedo" porque senão ele teria dito que o irmão tinha se convertido ao catolicismo. Professor, isso é muito grave....até quando teremos padres assim? Até quando teremos que ouvi-los dizer heresias? Até quando assistiremos a tantas profanações?

Que Deus continue abençoando o trabalho de vocês!!!


Resposta do Professor:

Muito prezado Gustavo,
Salve Maria.

Você tem razão em sua indignação. Na Missa de sempre, o padre, antes de fazer o sermão, roga a Deus que lhe permita anunciar digna e competentemente o santo Evangelho.
Esses padres modernos, em seus sermões dizem heresias e baixezas. Falam sem competência e indignamente.
Esse exatamente é o caso do Padre que você cita: palavrões e a monstruosidade de dar graças a Deus que o irmão ficou herege. Esse padre é pior que o irmão dele que apostatou e foi para uma igrejola qualquer.
Esse padre, materialmente, está na Igreja católica, e, abusando de seu sacredócio, espalha heresias e baixezas em seus sermões. Que males não advirão de tais loucuras?
Procurem urgentemente um Padre que queira rezar a Missa de sempre.
Um abraço saudoso.
Que Deus lhe dê um santo ano novo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Veja clicando aqui

PS: não estou aqui acusando nem julgando nenhuma religião, mais só estou tentando mostrar como existem pessoas religiosas e fundamentalçistas no mundo, não são só os evangélicos que são intolerantes não....

Carta aberta a Morris Cerullo




Pr. Airton Evangelista da Costa

Senhor Morris Cerullo

Transcrevo abaixo trechos do seu discurso na televisão, a respeito da "Unção Financeira dos Últimos Dias". Mais adiante, farei algumas perguntas e apresentarei alguns questionamentos:

"Um milagre financeiro para as pessoas que estão assistindo hoje este programa. Algo que nunca Deus fez antes na vida dessas pessoas. "Filho, diga ao meu povo, nestes últimos dias, tenho uma unção especial; vou liberar sobre o meu povo algo que nunca jamais fiz antes". Vou liberar sobre eles uma unção financeira. Vou no meio dessa crise levantar o meu povo, e será um testemunho para o mundo como os judeus eram um testemunho, quando Deus os tirou do Egito com toda riqueza do Egito. Deus transferiu a riqueza do pecador para os judeus. Estamos vivendo na última hora. Deus está pronto para transferir a riqueza do pecador mais uma vez, mas desta vez nas suas mãos. Vai acontecer hoje, neste programa. Eu vou orar para Deus liberar a sua unção financeira sobre a sua vida. Vou dizer o que é unção financeira em poucos momentos, mas eu quero que você faça isso. Existe um telefone aí na tela – (21) 2187.7000. Se você quer que Deus te dê a unção financeira dos últimos dias. Eu quero que você pegue esse telefone. E eu quero que você faça um compromisso para você semear novecentos reais. Você dirá: irmão Cerullo, nunca fiz isso na vida. Eu te digo, o que você semear o que Deus está nos pedindo para fazer hoje, você vai receber da parte de Deus algo que você nunca recebeu antes. Por que "nove"? Porque este é o ano de 2009. Os números são importantes para Deus. O ano passado foi 2008. Número oito... nós celebramos um novo começo.. O "oito" significa um novo começo. A maior coisa que Deus pode fazer por você que está assistindo o programa, você que é um ministro, um pastor, é para Deus te dar o espírito de discernimento para você poder discernir os tempos, poder entender o que está acontecendo. "Nove" significa completo. Você dirá: Deus tem feito promessas para mim, mas elas nunca foram cumpridas. Ouça a voz de Deus, hoje. Se você for ao telefone e fizer um compromisso para semear R$900,00, e você disser: Deus, quero dar meu passo na minha unção financeira dos últimos dias. "Eu te prometo: antes de chegar o dia primeiro de janeiro, Deus irá cumprir toda a profecia, todas promessas que ele já fez sobre a tua vida".

Antes que me incline a semear R$900,00, faço algumas considerações:

O senhor disse que "tal coisa nunca aconteceu em sua vida". Realmente, nunca aconteceu de ouvir tal proposta. Nenhum profeta bíblico profetizou qualquer coisa para arrecadar dinheiro para si ou para outrem. Elizeu, profeta de reconhecida integridade moral, recusou a valiosa oferta de Naamã. Não quis profanar o templo de sua consciência.

"O número nove significa completo" – Se o senhor usou esse argumento para justificar o elevado preço de R$900,00, deu-se mal. Pior ainda quando revelou que estávamos no ano 2009 e o ano anterior teria sido 2008, e que o "oito" indica começo. E parou por aí. Nenhuma base bíblica usou para tal afirmação.

O senhor disse que Deus vai transferir a riqueza dos pecadores para o seu povo. Ora, isso agravaria a crise, antes de resolvê-la. Seria um desastre econômico de proporções gigantescas. Cento e sessenta milhões de brasileiros ficariam pobres de uma hora para outra, enquanto 40 milhões de crentes ficariam ricos da noite para o dia.

"Estamos vivendo os últimos dias" – Como é que o senhor soube? Quantos dias restam para o fim de todas as coisas? O senhor deveria ter sido mais explícito. Há dois mil anos, o apóstolo revelou: "Filhinhos, é já a última hora" (1 Jo 2.18). Não é preciso ser profeta para saber que o fim se aproxima. Poderá durar um dia, dez anos, cem anos ou dois mil anos. Digamos que o senhor tenha razão e que o fim virá dentro de poucos anos. Pergunto: para que unção financeira se já estamos na reta final?

]"Todas as promessas serão cumpridas a partir de primeiro de janeiro" – Senhor Morris, o senhor foi muito ousado em tal profecia. Por que essas benesses só funcionarão a partir dessa data? O cumprimento da profecia começa dia primeiro e dura quanto tempo? Um mês, seis meses, um ano? Quer dizer que, além da riqueza que será transferida dos pecadores, os crentes receberão carros importados, mansões, aviões, conversão na família, e tudo o mais que lhes foi prometido por Deus durante anos e anos?

Senhor Cerullo, o senhor não citou em nenhum momento o nome do Senhor Jesus, nem o evangelho da graça. Na minha Bíblia, e em qualquer Bíblia popular de dez reais, está escrito: "Buscai, antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas [o comer e o vestir] vos serão acrescentadas" (Lc 12.22, 31). Diz mais: "Pedi, edar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á . Porque aquele que pede recebe.... Vosso Pai dará bens aos que lhe pedirem" (Mt 7.7, 11). Também diz a minha Bíblia que Deus nos dá, de graça, sabedoria (Tg 1.5). Pergunto: Por que Deus, apesar da palavra, nos cobraria R$900,00 para nos abençoar com essa unção financeira?

Senhor Cerullo, lamento dizer que sua profecia chegou com atraso. Os indicadores econômicos revelam que o Brasil está em vias de vencer a crise. A mesma coisa acontece em alguns países. Com crise ou sem crise, temos no Brasil muitos irmãos necessitados, mas Deus supre suas necessidades.

Senhor Morris Cerullo, o alto valor cobrado pela unção financeira deve ter causado muitos constrangimentos no meio do povo de Deus, naqueles que acreditaram no seu discurso. Muitos não conseguiriam pagar um preço tão elevado. Os assalariados teriam que trabalhar três meses para ter esse dinheiro. Se os benefícios viessem de forma imediata, até que poderiam pensar. Mas o senhor esticou o prazo para janeiro de 2010. E estamos em agosto de 2009. Seriam seis meses de espera. No deserto, Moisés intercedeu pelo povo e Deus ouviu e atendeu. O senhor não poderia arrazoar com Deus sobre a questão desse valor?

A sua profecia, senhor Cerullo, comete uma injustiça. E por causa disso, não acredito seja de Deus. Os crentes pobres, que não possuem novecentos reais para "semear", não mudarão de vida; continuarão pobres. Os ricos ficarão mais ricos.

"Vou orar para Deus liberar a unção financeira" – Se o senhor informa que a unção e a riqueza virão para quem semear R$900,00, para que a oração? O senhor colocou a questão como se fosse algo mecânico e automático: ofertou, levou. Por isso, estranhei a necessidade de oração.

Sugiro-lhe que peça a Deus a unção financeira sobre os irmãos pobres do mundo inteiro, não só do Brasil. Mas, por favor, que seja gratuitamente. Uma unção por R$900,00 vai piorar a situação dos pobres.

Pastor Silas Malafaia, junte a sua fé à do profeta Morris Cerullo, e façam os dois uma oração poderosa, na televisão, para que Deus libere, de graça, a unção financeira dos últimos dias em favor de todos os crentes pobres deste país, independente de qualquer pagamento.

19.08.2009

Pr. Airton Evangelista da Costa
Fonte: protesto cristão

sábado, 3 de outubro de 2009


Ricardo Gondím, Brasil


O culto pegava fogo. O frenesi do povo crescia, estimulado por um pastor quase grisalho, engravatado e bastante brilhantina nos cabelos. Mesmo acostumado a ambientes pentecostais, estranhei o exagero dos gestos e das palavras. Concentrei-me para entender o que o pastor dizia em meio a tantos gritos. Percebi que ele literalmente dava ordens a Deus. Exigia que honrasse a sua Palavra e que não deixasse "nenhuma pessoa ali sem a bênção". Enquanto os decibéis subiam, estranhei o tamanho da sua arrogância. A ousadia do líder contagiou os participantes. Todos pareciam valentes, cheios de coragem. Assombrei-me quando ouvi uma ordem vinda do púlpito: "chegou a hora de colocarmos Deus no canto da parede. Vamos receber o nosso milagre e exigir os nossos direitos". Foi a gota d'água. Levantei-me e fui embora.

Os ambientes religiosos neopentecostais se tornaram alucinatórios porque geram fascínio por poder e pela capacidade de criar um mundo protegido e previsível. Por se sentirem onipotentes, buscam produzir uma realidade fictícia. Para terem esse mundo hipotético, os sujeitos religiosos chegam ao cúmulo de se acharem gabaritados para comandar Deus. É próprio de a religião oferecer segurança, mas os neopentecostais querem produzir garantia existencial com avidez.



Em seus cultos, procuram eliminar as contingências, com a imprevisibilidade dos acidentes e os contratempos do mal. Acreditam-se capazes de domesticar a vida para acabar com possibilidade dos seus filhos adoecerem, das empresas que dirigem falirem e de se safarem, caso estejam em ônibus que despenca no barranco. Almejam uma religião preventiva, que se antecipa aos solavancos da vida. Imaginam-se aptos para transformar a aventura de viver em mar de almirante ou em um céu de brigadeiro.



Acontece que essa idéia de um mundo sem percalços não passa de alucinação. Por mais que se ore, por mais que se bata o pé dando ordens a Deus, o Eclesiastes adverte: "o que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo" (9.2).



Mas a pergunta insiste: por que os cultos neopentecostais lotam auditórios e ganham força na mídia? Repito, pelo simples fato de prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã; de eliminar os infortúnios e canalizar as bênçãos de Deus para o presente. Quando oram, pretendem gerar ambientes pretensiosamente capazes de antever quaisquer problemas para convertê-los em fortuna e felicidade.



Esta premissa deve ser contestada. Pois, pedir a Deus para nunca se contrariar, ou para ser poupado de acidentes, significa exigir que Ele coloque os seus filhos em uma bolha de aço. A vida é contingente. Tudo pode ocorrer de bom e de ruim. Uma existência sem imprevisibilidade seria maçante. O perigo da tempestade, a ameaça da doença, a eminência da morte fazem o dia a dia interessante.



A verdade não produz necessariamente felicidade. Verdade conduz à lucidez. O delírio, porém, tranqüiliza e gera um contentamento falso. Muitos recorrem à religião porque desejam fugir da verdade e se arrasam porque a paz que alucinação produz não se sustenta diante dos fatos.



Cedo ou tarde, a tempestade chega, o "dia mau" se impõe e o arrazoamento do religioso cai por terra. Interessante observar que Jesus nunca fez promessas mirabolantes. Como não se alinhou aos processos alienantes da religião, Jesus não garantiu um mundo seguro para os seus seguidores. Pelo contrário, avisou que os enviaria como ovelhas para o meio dos lobos e advertiu que muitos seriam entregues à morte por seus familiares. Sem qualquer rodeio, afirmou: "no mundo vocês terão aflições".



Quando o Espírito conduziu Jesus para o deserto, o Diabo lhe ofereceu uma vida segura, sem imprevistos. As três tentações foram ofertas de provisão, prevenção e poder, mas ele as rechaçou porque as considerou mentirosas. O mundo que o Diabo prometia não existe.



Acontece que as pessoas preferem acreditar em suas ilusões. Fugir da crueza da vida é uma grande tentação. Em um primeiro momento, parece cômodo refugiar-se da realidade, negando-a. É bom acreditar que a riqueza, a saúde, a felicidade estão pertinho dos que souberem manipular Deus.



O mundo neopentecostal se desconectou da realidade. Seus seguidores vivem em negação. Não aceitam partilhar a sorte de todos os mortais. Confundem esperança com deslumbre, virtude com onipotência mágica, culto com manipulação de forças esotéricas e espiritualidade com narcisismo religioso.



Os sociólogos têm razão, o crescimento numérico dos evangélicos não arrefecerá nos próximos anos. Entretanto, o problema é qualitativo. O rastro de feridos e decepcionados que embarcaram nessas promessas irreais já é maior do que se imagina.



A demanda por cuidado pastoral vai aumentar. Os egressos do "avivamento evangélico" baterão na porta dos pastores, perguntando: "por que Deus não me ouviu?" ou "o que fiz de errado?". Será preciso responder carinhosamente: "não houve nada de errado com você. Deus não lhe tratou com indiferença. Você apenas alucinou sobre o mundo e misturou fé com fantasia".



Soli Deo Gloria
Fonte:Blog Emeurgencia